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#9 - Mindfulness, criatividade e redução do estresse - faça uma pausa



Todos sabemos a importância de fazer pausas em nosso dia, ter um momento para si, e cultivar hábitos mais saudáveis. Entretanto, poucos realmente conseguem fazer isso, e é muito frequente ouvir dos participantes dos Programas de Mindfulness falas como "meu dia é muito corrido, minha rotina é muito puxada, não consigo encontrar um espaço para parar e meditar, mesmo sendo práticas curtas de 5 minutos, não consigo um tempo para mim...". O curioso é que muitos sonham com o dia em que realmente vão conseguir fazer esta pausa e ter este cuidado para si, entrando na mesma lógica do "um dia...". Estamos muito focados em nosso trabalho, cumprir com nossas obrigações - incluindo com pessoas próximas, de nosso círculo afetivo - e o tempo parece cada vez mais curto. Atividades de autocuidado, como atividade física ou mesmo a alimentação passam a ser vistos como mais tarefas a serem cumpridas no nosso checklist diário.

Começamos a reduzir muito nosso repertório de atividades, e a sensação de estresse vai se instalando. E aí vem a pergunta: um dia pode ser cheio, mas será que é rico? Equilibrado, no sentido de também ter momentos que nos nutrem, dão senso de vida, ou simplesmente um momento de não ter nada?

Bem, já que trabalho é um dos principais focos da nossa vida na fase produtiva, segue mais um argumento a favor das pequenas pausas diárias: fazer essas pausas e ter uma vida mais equilibrada não é importante "apenas" por nos tornar mais saudáveis, mas promovem maior saúde cerebral e, consequentemente, nos tornam mais resilientes e criativos. Administramos melhor o nosso tempo, tomamos decisões mais conscientes, manejamos melhor as situações de conflito. E, claro, isso impacta diretamente em nossa produtividade.

E quero deixar claro, não falo de produtividade aqui no sentido simplista da palavra, de alcançar mais metas, cumprir com mais obrigações e fazer girar ainda mais a famosa "roda do rato". Falo da qualidade com que fazemos o que fazemos, um estado de presença em nossas atividades, um senso interno de realização, e também de discernimento sobre o que fazemos. Um pouco confuso? Talvez.

Aqui nessa entrevista publicada pela Exame em agosto de 2017, a psiquiatra e neurocientista britânica Tara Swart explica como o estresse prejudica nossa empatia, criatividade e forma com que lidamos com as emoções e, embora o enfoque da entrevista seja o âmbito profissional, é fácil perceber como impacta também outras áreas de nossa vida. Além do mais, fornece estratégias bem simples de serem incorporadas de maneira a promover maior saúde do cérebro. (Leia a entrevista na íntegra, vale a pena! Clique aqui ).

Uma dessas estratégias é a prática de Minfulness - ou atenção plena - por meio de exercícios de meditação e de práticas informais (quando trazemos a qualidade de atenção mindful para as atividades que já fazemos no dia a dia). Uma das definições de Mindfulness é a habilidade de trazer a atenção ao momento presente de forma intencional e com atitudes de maior abertura, curiosidade e livre de julgamentos. Ao desenvolver essa habilidade, tomamos maior consciência da forma com que somos em nossas vidas, nos permitindo decidir de forma mais habilidosa sobre diferentes aspectos que vão desde a forma com que saboreio um café até reconhecer e lidar com a raiva no meio de uma discussão, por exemplo. Maior qualidade de vida e equilíbrio emocional também estão dentre os benefícios que a prática de Mindfulness pode trazer.


Para começar então, gostaria de fazer um simples convite: se tudo isso ainda parecer muito distante para você, que tal começar com apenas uma pausa, ou talvez duas, três pequenas pausas? E nessas pausas, se permita uma respiração consciente, um momento de checagem interna no sentido de "como estou nesse exato momento", de maneira livre e aberta. Veja se tem algum cuidado rápido que seu corpo pede, com um copo de água, um girar da cabeça ou um soltar dos ombros. Se desafie, e veja por conta própria de que forma isto pode ou não te ajudar.


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